Como funciona a reciclagem no Brasil: por que ainda reciclamos tão pouco?

O Brasil é um dos maiores produtores de resíduos do mundo, mas ainda recicla muito pouco. Segundo dados da Abrelpe, menos de 13% do plástico gerado no país é reciclado, mesmo sendo um material altamente reaproveitável. Em um cenário global que exige cada vez mais responsabilidade socioambiental, o país enfrenta desafios que vão desde infraestrutura insuficiente até falta de educação ambiental.

Entender como funciona a reciclagem no Brasil é o primeiro passo para transformar esse panorama e fortalecer práticas sustentáveis em toda a cadeia produtiva, do consumidor às indústrias, do varejo ao poder público.

Nesse contexto, iniciativas como as da GUFE, que opera com energia 100% renovável, zero desperdício e insumos totalmente recicláveis, mostram que é possível reduzir impacto e construir um ciclo mais inteligente, mesmo diante de tantas dificuldades nacionais.

 

Como a reciclagem acontece no Brasil

Para que a reciclagem funcione, uma longa cadeia precisa atuar de maneira coordenada. O processo começa na separação dos resíduos, passa por cooperativas de triagem e termina na indústria recicladora, onde o material volta a ser matéria-prima,  dando origem a novos produtos.

O primeiro elo dessa cadeia é a coleta seletiva, que ainda é pouco expressiva no país. Apenas cerca de 18% dos municípios brasileiros possuem programas estruturados de coleta seletiva, o que significa que, na maior parte do território, o lixo reciclável é misturado ao lixo comum e perde completamente seu potencial de reaproveitamento.

Depois da coleta, entram em cena as cooperativas de reciclagem e os catadores, que são protagonistas do sistema. Estima-se que 90% do material reciclado no país passe pelas mãos desses trabalhadores, responsáveis pela triagem, separação, limpeza e compactação dos resíduos. Sem as cooperativas, a reciclagem brasileira praticamente não existiria.

Após a triagem, os materiais seguem para as indústrias recicladoras. No caso do plástico, a reciclagem mais comum é a mecânica: o material é triturado, lavado, seco e transformado em grânulos reciclados que podem dar origem a novas embalagens, utensílios, peças industriais e diversos outros produtos. É nesse momento que o resíduo deixa de ser lixo e volta ao ciclo produtivo.

 

Por que o Brasil recicla tão pouco?

Embora a reciclagem exista, ela ainda enfrenta várias barreiras que limitam seu crescimento. Um dos maiores problemas é justamente a falta de coleta seletiva. Quando o resíduo reciclável se mistura ao lixo orgânico, sua recuperação se torna inviável. Embalagens sujas, molhadas ou contaminadas não podem ser recicladas, e isso compromete toda a cadeia.

Outro ponto importante é a baixa educação ambiental. Muitas pessoas ainda não sabem como separar corretamente os resíduos ou não conhecem a importância desse ato. Há também muito desconhecimento sobre o que realmente pode ser reciclado, e isso resulta em contaminação dos materiais ou descarte incorreto.

Além disso, o país sofre com falta de infraestrutura. Em muitos municípios, não há centros de triagem, cooperativas estruturadas ou caminhões específicos para coletar recicláveis. Esse cenário gera desperdício de recursos valiosos, como plásticos e metais, que poderiam retornar ao ciclo produtivo.

A reciclagem no Brasil também enfrenta desafios econômicos. A logística reversa — que deveria garantir o retorno das embalagens para a cadeia produtiva — ainda não funciona de forma plena. E, apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), muitas empresas ainda não assumem sua responsabilidade sobre o ciclo de vida dos produtos. Isso acaba gerando sobrecarga às cooperativas, que têm pouca infraestrutura e recebem materiais misturados, sujos ou em baixa quantidade.

Por fim, há um desafio cultural: ainda há pouca valorização do plástico reciclado em alguns setores, o que diminui a demanda e desestimula investimentos mais robustos na cadeia recicladora.

 

Quais são os impactos dessa baixa reciclagem?

Quando o país recicla pouco, perde em diferentes frentes. O impacto ambiental é evidente: mais resíduos em aterros, maior contaminação do solo e da água, emissões de gases e acúmulo de plástico nos rios e mares. O impacto social também é significativo, já que milhares de famílias dependem do trabalho de coleta e triagem de resíduos para sobreviver, e uma cadeia desestruturada reduz oportunidades.

Economicamente, o país desperdiça milhões todos os anos por não reinserir materiais recicláveis na cadeia produtiva. O plástico, por exemplo, é um recurso valioso: ao ser reciclado, economiza energia, reduz a extração de petróleo e diminui custos industriais.

Em resumo: reciclar pouco significa perder valor ambiental, social e econômico.

 

O que pode melhorar esse cenário?

Apesar dos desafios, o Brasil tem grande potencial para expandir sua capacidade de reciclagem. Algumas medidas são essenciais para essa transformação:

A primeira delas é a educação ambiental, tanto dentro das empresas quanto nas escolas e comunidades. Entender como separar, limpar e descartar corretamente os resíduos é fundamental para que eles possam ser reaproveitados. Esse conhecimento simples, mas poderoso, pode aumentar significativamente o volume de plástico reciclável que chega às cooperativas.

Outra frente importante é o fortalecimento da coleta seletiva. Municípios precisam investir em infraestrutura, caminhões adequados, campanhas de conscientização e contratos que priorizem cooperativas e recicladores. Sem coleta, não há reciclagem.

Também é fundamental valorizar o papel das cooperativas. Muitas trabalham com equipamentos antigos, pouca estrutura e baixa remuneração. Incentivos públicos e privados podem aumentar a capacidade de triagem, melhorar as condições de trabalho e ampliar a geração de renda.

A logística reversa precisa avançar. Empresas devem assumir a responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos que colocam no mercado, seja investindo em programas próprios, seja apoiando sistemas coletivos.

Por fim, é necessário estimular a economia circular, aumentando a demanda industrial por materiais reciclados e incentivando empresas que já adotam práticas limpas, como uso de energia renovável, processos sem desperdício e produtos recicláveis.

 

O compromisso da GUFE com uma cadeia mais sustentável

A GUFE é um exemplo de como a indústria pode contribuir para uma reciclagem mais eficiente no país. A empresa opera com energia 100% renovável e zero desperdício em todo o seu processo produtivo. Em 2024, essas práticas evitaram a emissão de 1.290 toneladas de CO₂, o equivalente à preservação de mais de 65 mil árvores — um impacto ambiental expressivo.

Além disso, todas as embalagens produzidas são 100% recicláveis, permitindo que retornem ao ciclo produtivo após o descarte correto. A empresa incentiva práticas sustentáveis não apenas dentro da fábrica, mas também entre seus clientes e parceiros, reforçando a importância do consumo consciente, do descarte adequado e da economia circular.

Com tecnologia e responsabilidade socioambiental, a GUFE mostra que é possível produzir mais e melhor, com menos impacto e mais propósito.

A reciclagem no Brasil enfrenta desafios profundos, mas também apresenta grandes oportunidades. Com educação ambiental, fortalecimento da infraestrutura, valorização das cooperativas e mais investimento em economia circular, o país pode transformar sua relação com os resíduos e avançar rumo a um futuro mais sustentável.

Indústrias como a GUFE têm papel essencial nessa mudança, produzindo de forma responsável, incentivando boas práticas e mostrando que inovação e sustentabilidade caminham juntas.

Quer continuar aprendendo sobre sustentabilidade e economia circular? Acesse os conteúdos do Blog GUFE e acompanhe mais iniciativas que fazem a diferença.